• IAA 1975 - "Need for power"

    IAA 1975 - "Need for power"


    VW Golf GTI, Ford Escort RS 2000, Opel Kadett GT/E - os construtores generalistas descobrem um novo nicho - veículos da classe compacta e média bem motorizados: peso inferior a 1000 Kg und mais de 100 CV.

    IAA 1975: viva o desporto

    E isto apesar da ainda recente crise petrolífera de 1973, que num ano tinha levado o preço do barril do petróleo subir 12 dólares. Agora, porém, a situação política parecia já estar estabilizada a ponto de se poder novamente dar largas ao prazer de condução. No entanto, há alguns contemporâneos que vão criticar fortemente a exposição automóvel, como o administrador da VW, Ernst Fiala, que coloca o dedo na ferida: "A IAA é um desperdício de dinheiro de primeira ordem, mas temos que estar presentes."


    IAA 1975: Opel Kadett GT/E 105 CV

    Dos pequenos concentrados de potência alemães, o novo GT/E é o que dá mais nas vistas, com a sua pintura negra e amarela de série (preto mate abaixo da linha de cintura e amarelo vivo acima). Os adornos cromados foram praticamente todos substituídos pela pintura preta. Também no interior do GT/E de 13000 DEM domina a cor preta. O Kadett é ca. de 70 kg mais leve que o Ascona com que Walter Röhrl foi campeão da Europa! E é essa a mensagem que a Opel pretende transmitir com o GT/E: o Kadett vai ser o sucessor do Ascona nos ralis. O motor de 1.9 L - também montado no Manta B - desenvolve 105 CV e leva o Kadett aos 184 km/h, o que faz dele o mais rápido perante o VW Golf GTI, o Audi 80 GTE e o Ford Escort RS 2000.


    IAA 1975: VW Golf GTI e Audi 80 GTE

    O primeiro Golf GTI apresenta-se em cena. O sucessor do mítico "Carocha" já rola há 1 ano nas estradas, sendo agora apresentada a versão GTI, com 110 CV. Também o Golf faz questão de exibir a sua filosofia desportiva, embora não de forma tão vistosa como o Opel. Só existe nas cores vermelho e prata, com uma cercadura preta em torno do vidro de trás, "caixilhos" dos vidros também em preto, alargamentos dos guarda-lamas ainda na mesma cor, e um friso vermelho em volta da grelha frontal. Ospolier frontal significam 5% de poupança de combustível.

    O motor do GTI também é usado no Audi 80 GTE. O motor de 1.6 L desenvolve 110 CV e leva o Golf aos 182 km/h, e o Audi aos 181 km/h. Enquanto este custa 13995 DEM, o Golf fica claramente abaixo da barreira dos 13000 DEM. Isto é possível graças ao sistema de partilha de componentes introduzido por Ferdinand Piëch, que desde 1 de Agosto assumiu o cargo de director da Audi. Neste sistema, Piëch vê um grande potencial de poupança de custos, para além da possibilidade de tornar os carros mais económicos e mais leves.


    IAA 1975: Ford RS 2000

    Com a optimização da carroçaria atrevés do exemplo do RS 2000, a Ford demonstra o que é possível fazer com medidas aerodinâmicas relativamente simples. O que mais se destaca é o novo "nariz", que foi prolongado em 16 cm, reduzindo o calor de Cx. em 16% e aumentando o "downforce" em 25%. Na traseira, o pequeno spoiler aumenta até o "downforce" em 60%! O motor é o já conhecido 2.0 L da geração anterior do Escort, o dogbone, que agora desenvolve 110 CV com um novo sistema de escape - mais 10% que o seu antecessor. Desta forma, o RS 2000, que custa 12995 DEM, atinge uma velocidade de 180 km/h.


    IAA 1975: o novo BMW Série 3

    A BMW exibe em Frankfurt o seu novo Série 3. Os modelos 316 a 320i desenvolvem 90 a 125 CV e têm preços entre os 13980 e os 17980 DEM, sem extras. Já naquela época a revista auto motor und sport criticava a "política de preços despropositada" e previa que a carreira do Série 3 ia tomar o rumo de "um carro orientado para o luxo, exclusivista e caro". Eberhard von Kuenheim explica como a BMW podia dar-se a esse luxo: "Nunca os nossos stocks estiveram tão em baixo." Com o 3.3i, a BMW mostra a última evolução da sua berlina topo-de-gama. O seu sucessor, o novo série 7, é já anunciado para a próxima IAA, em 1977.


    IAA 1975: Porsche - depois do FLA, agora a zincagem integral

    Tal como a tendência de quase todos os construtores na IAA de 2007 era a cor branca, também a cor da moda no stand da Porsche em 1975 é branco: carros brancos em chão branco e com a estrutura do stand em branco. A Porsche segue agora o rumo tomado em 1973 com o FLA, mas com meios simplificados: a partir de 1976, as carroçarias dos 911 são zincadas a quente, o que permite à Porsche dar 6 anos de garantia anti-corrosão.

    As reacções dos construtores são inequívocas: o chefe de desenvolvimento das carroçarias na Mercedes, Breitschwerdt, critica: "É uma irresponsabilidade apresentar isto como solução ainda antes de a tecnologia de separação e reciclagem do zinco estar amadurecida". Fiala, por sua vez, contrapõe: "A estatística demonstra que, com 12 anos de esperança média de vida, os VW também são veículos duráveis, mesmo sem zincagem." Também do Japão chega uma prova de longevidade: A Datsun apresenta um veículo particular com 192.000 km.


    IAA 1975: Jaguar XJ-S e Triumph TR 7

    Da Inglaterra chega um novo desportivo a Frankfurt, apresentado pela Jaguar. O XJ-S baseia-se no modelo XJ e assume a pesada herança do E-Type. A distância entre eixos é 29 cm mais curta em relação à berlina. O comportamento e as performances estão a um nível elevadíssimo, em última análise, muito graças ao poderoso V12, que produz 287 CV a partir de 5.3 L de cilindrada.

    Com o TR7, a Triumph polariza a sua comunidade de adeptos fiéis. Uns acham-no horrível, enquanto os outros vêem nele boas perspectivas de futuro. O TR7 quebra a tradição Triumph e possui agora uma carroçaria autoportante, bem como um design radicalmente em forma de cunha. Uma vez que nos EUA se discute uma proibição generalizada de Cabriolets, o TR7 começa por ser apresentado apenas como Coupé.


    A galeria de imagens, já parcialmente a cores!!:




    Começando pela letra A, temos o nosso bem conhecido Audi 50, aqui em versão LS.




    Segue-se o Audi 80 L, versão mais simples do modelo, reconhecível, entre outro pelos faróis únicos.




    Aqui a versão desportiva, o Audi 80 GTE (E = Einspritzung, injecção em alemão).




    O Chevrolet Camaro, modelo '76.



    O BMW mais económico e barato do mercado: o 1502. Preço em 1975: 12380 DEM.




    O BMW 2002 Cabriolet seria ainda vendido até aos finais de 1975.





    Aqui o BMW 2500 CS. Preço: 31220 DEM.




    Última evolução da berlina de luxo alemã, com o motor 3.3i, com injecção electrónica L-Jetronic e 200 CV. Havia também uma versão longa, denominada 3.3Li.



    Em 1975, a BMW apresenta a sua nova Série 3. Aqui, a versão 320i.




    A motorização 320 a carburadores desenvolvia 110 CV.




    Já o série 5 era um carro que se vendia bastante bem. Aqui a versão de topo desta primeira série, o 525, com motor de 6 cilindros em linha e 145 CV. Outros tempos!




    A BMW aguçava já o apetite dos potenciais clientes com a antevisão do futuro novo coupé de 6 cilindros da BMW, que viria a chamar-se Série 6.



    Uma das maiores novidades no stand da Ford era o Escort RS 2000.




    Aqui o seu motor de 2.0 L e 110 CV.




    Aspecto do interior do RS 2000.




    E o seu bem recheado painel de instrumentos.



    O Ford Granada era sujeito a um pequeno "restyling".




    Novidade absoluta era a versão carrinha, denominada Turnier.




    O Ford Taunus era exibido pela última vez, já que no ano seguinte viria a sair o seu substituto.




    Um desenho que prefigurava já o futuro Taunus II.



    Ainda no stand da Ford: o Capri II, já apresentado em 1974.




    O novíssimo Jaguar XJ-S.




    A série 200-280 (W 114/115) era aqui apresentada pela última vez...




    ... incluindo a elegante versão Coupé deste modelo.



    Os novos modelos (W 123), que viriam a ser lançados em 1976, já rolavam sob a forma de protótipos, ainda bastante disfarçados.




    O luxuoso coupé Mercedes 280 SLC.




    A berlina 350 SE, com motor V8.




    E o elegante roadster, aqui na versão 350 SLC.



    O mais caro, rápido e potente Mercedes de todos: o 450 SEL 6.9!




    O NSU Ro 80 apresentava-se com um pequeno restyling.




    Nomeadamente, com farolins e pára-choques de maiores dimensões, novos frisos e tablier renovado.




    Também o mais recente Ascona B estava presente em Frankfurt 1975.



    O Opel Rekord (aqui um 1900) também não faltou à exposição.




    Aqui uma versão bem mais desportiva desta série: o Commodore GS/E!




    O poderoso Opel Diplomat V8. Será o do Blitz???




    E o concept futurista Opel GT-2.



    Representado com bastantes variantes estava o Opel Kadett C, apesar de já não ser uma novidade absoluta.




    Novidade era a versão "City" do Kadett.




    O Kadett GT/E no stand, ainda a preto e branco...




    ... e aqui a cores, onde se pode ver melhor a "pintura de guerra" característica desta versão.



    Também o Manta tinha uma versão GT/E, com motor igual ao do Kadett.




    As mesmas "cores de guerra", mas distribuídas de forma diferente.




    O Citroën Sherpa, em fibra, modelo de características militares e "parente" do Méhari.




    O Triumph TR7, com o seu design inconfundível.



    A Porsche apresentava um 911 e exibia os painéis zincados, garantia contra a corrosão antecipada da chapa.




    O 911 na sua versão Targa.




    O poderoso Porsche Turbo...




    ... e a sua imponente asa traseira, que tinha a dupla função de apoio aerodinâmico e refrigeração do motor/turbo.



    O Volvo 264 TE, limousine estatal da Suécia.




    O "Carocha" já só era vendido na sua versão 1200 "Standard", como modelo de entrada na gama VW.




    O VW 1303 LS Cabriolet, última evolução da "espécie".




    A VW recordava ainda o seu modelo n.º 003, de 1949!



    O VW Golf I, modelo que salvou a VW.




    E aqui a mítica versão GTI.




    O Golf GTI tinha um comportamento e uma agilidade referenciais.




    Aqui o seu painel de instrumentos.



    Ainda o interior do Golf GTI, num padrão axadrezado dos estofos, muito em voga na época.




    A VW apresentava ainda várias versões do seu Passat. Aqui a variante de 2 portas.




    Este é o fastback, de 5 portas.




    E aqui a variante... Variant! Muito usada pela Polícia alemã na época.



    O VW Polo I, clone do Audi 50 (ver acima).




    O VW Scirocco, também na sua primeira geração.




    O Prof. Fiala, 3.º a contar da esquerda, para quem a IAA era um desperdício de dinheiro!


    Fim. Segue-se a IAA 1977, em que o ambiente económico era bastante animador.
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